Ecommerce

O que é o código EAN de um produto e porque é importante para a tua loja online

Operador de armazém a ler o código de barras de uma palete com um leitor

Repara em qualquer produto: quase de certeza que tem um código de barras com números por baixo. Esse número é o EAN e, numa loja online, serve para muito mais do que passar na caixa.

O EAN é o número de 13 dígitos que identifica cada produto de forma única no comércio de todo o mundo: o que vês impresso por baixo do código de barras. A sigla vinha de «European Article Number», mas hoje chama-se International Article Number, e a GS1, a organização que gere a norma, chama-lhe GTIN-13. Numa loja online serve para controlar o stock, cumprir os requisitos da Amazon e do Google Shopping e reconhecer o mesmo produto em lojas diferentes.

Quando se fala de códigos EAN em geral, quase sempre se trata do EAN-13. A facilidade de utilização tornou-o uma ferramenta básica para fabricantes e distribuidores de praticamente todos os setores, incluindo as lojas online.

Além de te ajudar a organizar o inventário, o EAN facilita algo que pesa muito num mercado tão disputado como o online: saber a que preço os teus concorrentes vendem exatamente o mesmo produto. É a base das ferramentas de monitorização de preços e de dynamic pricing.

O essencial

  • O EAN-13 (GTIN-13) é um número de 13 dígitos que identifica um produto concreto, igual em qualquer país.
  • Não contém dados do produto: é uma chave para o procurar numa base de dados.
  • Os primeiros dígitos indicam que organização GS1 atribuiu o código (560 em Portugal), não o país de fabrico.
  • Em Portugal obtém-se com a adesão à GS1 Portugal, que atribui um prefixo de empresa; com ele, cada marca cria os códigos dos seus produtos.
  • A Amazon e o Google Merchant Center pedem o GTIN nos produtos de marca, e não convém comprar EAN revendidos.

O que é o código EAN e para que serve?

O código EAN é um identificador normalizado a nível internacional que se atribui a cada produto comercial. Dito de forma simples, é o código universal de um produto: o mesmo artigo tem o mesmo número em qualquer loja e em qualquer país.

O sistema nasceu na Europa nos anos setenta, a partir do código UPC que já se usava nos Estados Unidos. A associação EAN, origem da atual GS1, foi fundada em 1977. Hoje a GS1 coordena a norma em todo o mundo através de organizações nacionais como a GS1 Portugal.

O EAN permite identificar o mesmo produto independentemente de onde é comprado. Por isso é tão útil quando se vendem ou importam artigos, e também para comparar o nome e o preço de um artigo entre vendedores ou plataformas de comércio eletrónico diferentes.

Se um comprador tem dúvidas sobre se está a comparar dois artigos idênticos, o EAN é a primeira pista: se coincide, o normal é tratar-se do mesmo produto. Mas nem sempre chega, como vais ver mais abaixo nos limites do EAN.

Tipos de códigos EAN e UPC

Os códigos EAN e UPC são os formatos da GS1 mais difundidos no mundo. Permitem que empresas e clientes identifiquem um produto de imediato em qualquer país, embora cada um tenha a sua utilização.

Durante anos, a diferença prática foi geográfica: o UPC usava-se nos Estados Unidos e no Canadá e o EAN no resto do mundo. Desde 2005, o comércio dos Estados Unidos e do Canadá aceita também o EAN-13. Aliás, um UPC-A de 12 dígitos equivale a um EAN-13 que começa por 0, por isso os dois sistemas são compatíveis.

Código de barrasNome GS1DígitosUtilização habitual
EAN-13GTIN-1313Produtos de consumo em todo o mundo. É o código que a maioria dos artigos tem em Portugal.
UPC-AGTIN-1212Produtos de consumo, sobretudo nos Estados Unidos e no Canadá, onde convive com o EAN-13.
EAN-8GTIN-88Versão compacta para artigos pequenos onde não cabe um EAN-13.
ITF-14GTIN-1414Caixas e níveis de embalagem que contêm produtos com EAN-13. Usa-se em logística e no inventário grossista.
Sem cartão · Sem fidelização

Quanta informação contém o código EAN? O que significam os seus dígitos

O EAN não contém informação sobre o produto: nem nome, nem preço, nem data de validade. É uma chave única que remete para a ficha do produto numa base de dados, como o catálogo de uma loja ou o registo da GS1. O que tem é uma estrutura, e cada bloco de dígitos significa alguma coisa.

  • Prefixo GS1: os 3 primeiros dígitos indicam que organização GS1 atribuiu o código. O prefixo da GS1 Portugal é o 560, por isso os códigos atribuídos em Portugal começam por 560. Não indicam o país de fabrico: dizem que a empresa se registou na GS1 Portugal.
  • Prefixo de empresa: juntamente com o anterior, forma o código que a GS1 atribui a cada marca. Costuma ter entre 7 e 10 dígitos no total, consoante o número de produtos que a empresa precisa de codificar: quanto mais curto o prefixo, mais códigos de artigo ficam disponíveis.
  • Código de artigo: os dígitos que faltam até completar 12. É a própria empresa que os atribui a cada um dos seus produtos.
  • Dígito de controlo: o 13.º. Calcula-se a partir dos outros 12 e serve para detetar erros de leitura ou de introdução manual.

Com um exemplo inventado percebe-se melhor. Vejamos o código 5601234567892:

BlocoDígitosO que indica
Prefixo GS1560Prefixo da GS1 Portugal
Resto do prefixo de empresa1234Identifica a empresa (prefixo completo de 7 dígitos: 5601234)
Código de artigo56789O produto concreto dentro do catálogo dessa empresa
Dígito de controlo2Calculado a partir dos 12 anteriores

O número é fictício, mas cumpre as regras de um EAN real. O dígito de controlo obtém-se assim:

  1. Soma os dígitos nas posições ímpares (1.ª, 3.ª, 5.ª…): 5 + 0 + 2 + 4 + 6 + 8 = 25.
  2. Soma os dígitos nas posições pares e multiplica por 3: (6 + 1 + 3 + 5 + 7 + 9) × 3 = 31 × 3 = 93.
  3. Soma os dois resultados: 25 + 93 = 118.
  4. Calcula quanto falta para a dezena seguinte: de 118 a 120 faltam 2. Esse é o dígito de controlo. Se a soma já fosse uma dezena exata, o dígito seria 0.

No código de barras impresso, os dígitos agrupam-se como 1-6-6: o primeiro aparece fora das barras e os outros doze dividem-se em dois blocos de seis.

Como funcionam os códigos EAN?

Os números EAN são convertidos em códigos de barras para que um leitor laser ou uma câmara os possam ler. O leitor converte as barras novamente nos 13 dígitos e o sistema procura esse número na sua base de dados.

Os códigos EAN podem ser lidos nos dois sentidos, da esquerda para a direita ou ao contrário. Com leitores omnidirecionais, como os das caixas de supermercado, leem-se além disso em qualquer orientação. Por baixo das barras costuma aparecer o número, para que, se o leitor falhar, se possa introduzir à mão.

Este funcionamento tão simples facilita desde o controlo de inventário até à comparação de preços entre produtos de vendedores diferentes.

Sem cartão · Sem fidelização

Porque é importante incluir o código EAN nas tuas fichas de produto?

Incluir o EAN correto em cada ficha de produto poupa-te problemas na gestão interna e abre-te a porta aos grandes canais de venda. Estas são as principais vantagens:

  • Permite identificar o produto de forma rápida e precisa.
  • Facilita o controlo de inventário, porque podes procurar qualquer artigo pelo código de barras.
  • Torna mais eficiente a gestão das bases de dados e a análise de vendas por artigo.
  • Permite comparar o mesmo produto entre vendedores e plataformas diferentes.
  • Ajuda a seguir o produto ao longo de toda a cadeia de distribuição.
  • Se quiseres exportar, a maioria dos distribuidores e marketplaces internacionais vai pedir-te um código EAN ou UPC. Não é uma obrigação legal, mas na prática é difícil vender sem ele, por isso é um dos requisitos a ter em conta antes de internacionalizar a tua loja online.
  • A Amazon exige um GTIN (EAN, UPC ou equivalente) para registar a maioria dos produtos, a não ser que a marca obtenha uma isenção. Os requisitos e o pedido de isenção estão no Seller Central.
  • Segundo a ajuda do Google Merchant Center, o GTIN é pedido nos produtos de marca que o tenham atribuído pelo fabricante. Se faltar ou estiver errado, os teus anúncios podem ser mostrados menos vezes ou ser rejeitados. Explicamos isto no guia para vender no Google Shopping.

Como obter um código EAN?

Se és o fabricante ou o dono da marca dos artigos que vendes, o código EAN é gerido por ti através da GS1. Em Portugal, o processo faz-se com a GS1 Portugal, que faz parte da rede internacional da GS1.

  1. Adere à GS1 Portugal. Preenches o formulário de adesão, envias a documentação pedida e pagas a quota, que depende da dimensão da tua empresa e de quantos códigos precisas.
  2. Recebe o teu prefixo de empresa. A GS1 Portugal não te envia uma lista de EAN, mas sim um prefixo que identifica a tua empresa.
  3. Cria o código de cada produto. A partir do prefixo, atribuis tu um código de artigo a cada produto e calculas o dígito de controlo.
  4. Regista os produtos e etiqueta-os. Registas cada código na base de dados da GS1 com os dados do produto e depois imprimes o código na etiqueta ou na embalagem.

Um aviso importante: não compres EAN revendidos a baixo preço em sites de terceiros. Esses códigos pertencem ao prefixo de outra empresa, não à marca do produto. A Amazon compara-os com a base de dados da GS1, e o Google pode marcar o GTIN como incorreto; nos dois casos arriscas-te a ver as tuas fichas ou os teus anúncios bloqueados.

A adesão tem um custo, mas compensa se queres vender em marketplaces, no Google Shopping ou exportar os teus produtos.

Sem cartão · Sem fidelização

Os limites do EAN na comparação de produtos

Em teoria, comparar preços entre lojas é tão fácil como cruzar códigos EAN. Na prática, o EAN falha mais do que parece:

  • Fichas sem EAN. Muitas lojas não o publicam, ou não o têm para produtos de marca própria ou artesanais.
  • Códigos errados. Erros ao copiar, o EAN de outro tamanho ou cor, ou códigos reutilizados pelo fabricante depois de descontinuar um produto, algo que as regras de gestão do GTIN da GS1 (em inglês) já não permitem.
  • Variantes com o mesmo código. Algumas lojas usam um único EAN para todas as variantes de um artigo, ou o de um pack para a unidade avulsa.
  • Códigos revendidos. Prefixos que não correspondem à marca real do produto.

Por isso, para comparar preços com fiabilidade, o EAN é um ponto de partida e não a resposta completa. Se te baseares apenas nele, podes acabar a comparar o teu produto com outro que não é o mesmo, um dos erros na comparação de preços que reduzem a tua margem.

Como comparar preços com a concorrência quando o EAN não chega?

Comparar preços com fiabilidade obriga a cruzar o EAN com a referência, rever os casos duvidosos e atualizar os dados com frequência. A Boardfy é uma plataforma SaaS de monitorização de preços da concorrência e preços dinâmicos para e-commerce, com alteração direta de preços na Amazon, no eBay, no Google Shopping e nos marketplaces Mirakl.

A Boardfy não decide a tua estratégia: aplica as regras que tu defines. Experimenta-a com o teu catálogo no teste gratuito de 7 dias, sem cartão.

Artigos relacionados

Centenas de empresas de todas as dimensões já utilizam a Boardfy

Sem cartão · Sem fidelização